Será possível que os hackers do Wannacry conseguirão sacar o dinheiro arrecadado no esquema?

O ataque realizado na semana passada foi o maior cyber-ataque da história. Mais de 300.000 usuários atingidos em mais de 150 países. O bem sucedido ataque que teve seu início na Ásia, travou milhares de computadores, encriptando os arquivos neles contidos e pedindo um resgate pelos mesmos.

Mesmo sem a garantia de recuperação de seus arquivos, muitos usuários pagaram o valor solicitado enviando seus bitcoins para uma das três carteiras digitais identificadas pelos hackers. No total, eles arrecadaram um montante que se aproxima de US$80.000,00 em valores equivalentes a Bitcoins. Tomando como referência a cotação da criptomoeda hoje, US$1.854,69, um total de  Ƀ43,13, em uma semana.

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Mas agora, os proprietários dessas três carteiras se vêem diante de um grande problema: com o time mundial de combate ao crime cibernético mapeando as movimentações nessas contas, será que os criminosos conseguirão lavar esse dinheiro e gastá-lo de maneira a não serem rastreados? Ou será que esse dinheiro é facilmente rastreável e inútil para os ladrões?

 

Por trás das negociações de cripto moedas

A tecnologia que tornou possível a negociação de bitcoins é conhecida como blockchain. Sem entrar em detalhes técnicos, esse é uma nova forma de compartilhamento de dados que permite muito mais transparência nas transações, uma vez que elas são auditáveis por qualquer usuário da rede, que é uma rede pública.

Originalmente, o bitcoin foi classificado como um veículo de pagamento anônimo. Entretanto, com o passar dos anos ficou claro que a cripto moeda é pseudônima ao invés de anônima. O que significa que ela deixa algum tipo de rastro.

Justamente por isso, os bitcoins arrecadados no ataque da semana passada permanecem intocados. O Wannacry, como ficou conhecido o ransom utilizado, chamou atenção de muitos governos e instituições pela abrangência que teve. Então, se os malfeitores quiserem usar, de fato, os recursos arrecadados, eles terão que utilizar algum tipo de estratégia para remover todas as conexões com os endereços de bitcoin originais

 

Então, o que resta para esses criminosos?

A lavagem de bitcoins e de criptomoedas em geral é um pouco diferente da lavagem de dinheiro tradicional, mas é uma questão de aplicar as ferramentas certas, de acordo com Emin Gün Sirer, professor da Cornell Univesity. São dois caminhos que poderiam ser tomados. O primeiro deles, seria converter os bitcoins em outras moedas virtuais, geralmente em bolsas offshore, tornando o rastreamento mais difícil conforme a moeda se altera e atravessa novas jurisdições. A outra medida seria dissolver os bitcoins roubados com bitcoins de fontes legais e então redistrubuí-los na rede, tirando assim os oficiais de lei para longe do seu rastro.

Contudo, a mixagem de bitcoins é algo arriscado, principalmente quando se lida com grandes quantias em dinheiro. Se os hackers cometerem um erro e, depois de mixarem os bitcoins de maneira que seja de difícil rastreabilidade, por engano os juntassem novamente, essas moedas estariam vulneráveis ao clustering e outras técnicas de análise do blockchain. Sem contar que não dá para se determinar a efetividade da maioria dos mixers.

Além disso, o erro primário dos hackers de terem usado apenas três carteiras diferentes para coletar os recursos mostra que eles não sabem muito bem sobre a privacidade do bitcoin.

O chefe das Nações Unidas para os crimes cibernéticos mundiais, Neil Wash, informou em um post no LinkedIn que os criminosos eram relativamente pouco habilidosos e não estavam preparados para o impacto que o ataque teve e que é pouco provável que eles saibam como lavar esses bitcoins corretamente. Finalizou dizendo que as autoridades estão com marcação cerrada, mas que o tempo está a favor dos criminosos.

 

Fontes: http://www.coindesk.com/the-world-is-watching-can-wannacrys-creators-cash-out-their-bitcoin-ransom/

https://www.linkedin.com/pulse/wannacry-bitcoin-analysis-develops-unodc-neil-walsh

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